terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Diz-me o que envergas e dir-te-ei quem és!


Considero-me de ideias abertas num modo geral. Considero-me também bastante perfeccionista. Tanto é, que esmiúço tudo até à exaustão. Desmistifico todas as entrelinhas que aparecem. Enfim, podia-me dar para pior, é um facto. Contudo, há que saber conviver com as diferenças. Então se for com as dos outros, parece-me que a atenção, tem que ser redobrada. Isto porque a nossa liberdade começa quando termina a dos outros. E, é aplicável num todo esta teoria. Afinal, estamos em pleno século XXI! Onde já conseguimos ultrapassar tantos preconceitos. Tantas foram as leis alteradas em prol de uma sociedade melhor. Mas, a constatação que faço, é que as tais leis, só foram aplicadas para fazer prevalecer um protocolo. E, é tudo muito giro e tal, mas na teoria. Porque na prática, as mentalidades pouco ou nada mudaram. O facto é, que as ideias pré-definidas estão enraizadas. E este raciocínio, pode ser aplicado em várias vertentes. Nomeadamente nos gostos de cada um. E, quando me refiro aos gostos, estou a canalizar para as roupas que vestimos, assim como os acessórios, entre outras coisas que tais. No entanto, vou mais longe, ou seja, vou estereotipar situações e aplicar em sexos específicos. Ora vejamos. As mulheres, quando cospem para o chão, quando escarram, proferem palavrões, palitam os dentes, andam de maneira máscula são olhadas de esguelha e logo, mas logo são comparadas aos homens. Porque a ideia, está pré-definida para que este tipo de acções, mesmo que são sejam as mais correctas, e bem vistas aos olhos dos demais, por todas as razões existentes, mesmo assim, sejam condescendentes para com os homens. As mulheres neste campo, não tem a mínima hipótese. E porquê? Porque além da feminilidade e masculinidade virem ao de cima, a sociedade, está formatada para dissecar de forma dúbia estes comportamentos em função do sexo. Quando aqui, basicamente a educação e o civismo, não tem sexo, muito menos nome.
Cargos importantes de liderança, regra geral são comandados por homens. Desde o tempo da Maria Carqueja que assim é. Pois não assim há muitos anos atrás que, os homens, é que eram os chefes da casa, os que traziam sustento para a família. As mulheres, essas, eram as chefes da lide doméstica. Não havia cá independência financeira nem nada que o valha. Entretanto, os tempos foram mudando e bem. Lá está,  a evolução da sociedade. Porém, quando as mulheres começaram a ganhar espaço no campo profissional, e a competir em pé de igualdade com os homens aos cargos de grande relevância e não só, as comparações automaticamente foram feitas, mais uma vez. Assim como o desdém, quando alguma mulher chefia, principalmente se a grande maioria dos subordinados forem homens, ou se exerce profissões que estão talhadas para os homens. Os tais estereótipos são gritantes. Há melhorias, sim claro que sim! Mas, ainda há um longo caminho pela frente. Um exemplo flagrante, os ordenados. Por norma, os homens ganham mais em proporção às mulheres. E porquê? Isto se a competência, a inteligência, não tem sexo. Ou não deveria.
Uma mulher, quando anda com A ou B, é vista como uma leviana, uma puta da pior espécie. Um homem, quando anda com A ou B, é um garanhão, quando muito um pulha. Mas, nem sempre esse pulha é visto de maneira pejorativa. Há quem alie isso a arrojado, ou para o raciocínio "se tem muitas é porque deve ser grande coisa." - Nas mulheres, ui, o caso muita e muito de figura. Tal como "se tem esta rodagem toda é porque é fresca é..." - E andamos nisto. Porventura, o devaneio, a vontade, a opção de ter a relação assim ou assado, quiçá cozido tem haver com a mural e os bons costumes? Tem taxativamente um sexo?
Os WCs publicos, por norma têm aqueles bonequinhos em forma humana. O que basicamente distingue o homem da mulher no dito boneco para sabermos em qual devemos entrar, é o desenho da saia. A divisão do WC, serve unicamente para salvaguardar o sexo oposto e não a sexualidade de cada um. Assim como, nos mesmos WCs há determinados apontamentos que estereotipam o sexo, nomeadamente o urinol como o bidé. Até se pode usar, mas automaticamente sabemos e isso salta logo na nossa mente que o urinol é uso "exclusivo" dos homens, e o bidé uso "exclusivo" das mulheres. Até podemos usar cada um o seu suposto oposto, mas se o fizermos, estamos a ir ao que não é politicamente correcto.
Outro apontamento bastante interessante que avisa que o WC X é dos homens e o WC Y é das mulheres, são as cores. Todos sabemos quase desde que nascemos que num modo geral o azul é dos meninos e o rosa é das meninas. E, se formos a um WC sem bonequinhos e, só esteja a cor rosa numa porta e a cor azul noutra, já sabemos qual é qual. No entanto, sabemos também que as cores, foram somente conectadas para diferenciar o sexo, e não a sexualidade. Parece-me aqui que existe uma diferença colossal. Porque se assim fosse, tinha que haver um WC para lésbicas, outro para gays. No entanto, o que a sociedade unicamente dividiu, foi basicamente os sexos. Masculino e feminino. Tudo o resto, as orientações sexuais de cada um, só diz respeito aos mesmos. Porque para irmos fazer as nossas necessidades num cubículo privado onde estamos de portas fechadas e depois no recinto partilhado onde consiste os lavatórios e espelho, parece que não temos que andar com um letreiro na testa a sinalizar qual a nossa orientação sexual. Porque ainda, ainda tudo que fuja do padrão dito normal, fere susceptibilidades.Tanto é, que assim num ápice, saiu dos WCs directamente para as lojas de roupas, assim como os acessórios, e foco além das peças, as cores. Então, há aquelas peças de roupa que marcam e bem os sexos. Estereotipam portanto. Senão vejamos. As calças de ganga, a das mulheres, têm a cintura mais descaída. O corte das calças das mulheres, é mais estreito que a dos homens. Os blusões, tem o corte oposto mediante o sexo. Mas isto, unicamente tem haver com o corpo. Temos corpos diferentes. Logo, as peças de vestuário se adequa. Básico aqui. No entanto, as cores, apesar do azul estar vocacionado para os meninos, e o rosa para as meninas, aqui também é somente para vincar a posição dos sexos em diversas áreas da sociedade, e não com a sexualidade. Não é uma cor, que dita a orientação sexual de cada um. Não é uma cor que vai travar os gostos pessoais de cada um. Nem foco tendências de moda, não! Foco mesmo gostos pessoais de cada um. Pois somos livres de gostar de coisas diferentes e não podemos seguir o padrão implantado, não por uma sociedade retrograda, mas por algumas mentes individuais que não sabem distinguir o que é um gosto pessoal a uma orientação sexual. Porque às tantas, o problema não está na cor que se veste. Neste caso no rosa que é estereotipada ao sexo feminino, quando vestido por homens, mas sim na mente de quem faz a associação do mesmo. Onde, em tempo algum, podemos concluir que um homem é gay porque se veste de t-shirt cor de rosa. As mulheres, porventura, se vestirem uma t-shirt azul bebé, é lésbica por isso?! Onde prevalece o bom senso aqui?
Os acessórios por exemplo. Anéis, pulseiras, brincos, envergados por homens, passam a ser gays por isso? Os chapéus, enchárpes, malas, quando andam em companhias masculinas, também passam a ser gays por isso? Um homem tatuado, é drogado por isso? Um homem que se vista todo de preto, pertence a alguma ceita, ou se droga? Mas afinal, o que diferencia a sexualidade, é a indumentária, acessórios, ou até mesmo a cor?!  Porque acredito no limite que os olhos até  possam "comer" quando os mesmos olhos focam a beleza de determinada pessoa que nos chame a atenção. Tal como a nossa atenção também poderá se prender à maneira de andar, falar, estar, gesticular, rosto, mãos, cabelos, corpo, e já no limite também, a indumentária concluindo a apreciação assim num todo. No entanto, fazer juízos de valores mediante uma peça de roupa, cor, acessórios, maneira de estar, andar e etc, já parece bastante agressivo. Contudo, é chapa cinco. Porque as mentalidades estão quase que formatadas para este raciocínio. Parecemos máquinas pré-programadas para a sociedade a que vamos. Mas, mesmo que num primeiro impacto se tenha esse pré-conceito, seria assertivo dar o beneficio da dúvida. Afinal, somos nós que damos sentido ao que envergamos, e não ao contrário!



Um grande avanço que a sociedade teve foi no que toca a liberdade de expressão. Tal como as diversas perspectivas que se fazem ouvir, ler e afins. E porque ainda vivemos num país democrático, deixo um link de um leitor, onde deu a sua perspectiva dentro da temática deste post. (Aqui)

19 comentários:

  1. Adorei o texto... e a forma clara e objectiva!
    Na minha opinião ter complexo de vestir cor de rosa ou outra cor qualquer para mim significa que esse "alguém" tem um logo caminho a percorrer quanto à sua sexualidade! Achar que uma cor faz a orientação sexual, para mim, significa que não está ainda perfeitamente seguro e definido quanto ao que deseja... e depois eles andam aí... escondidos e camuflados!! :D

    Quanto ao posto do link... nem tenho palavras para tamanha barbaridade... na minha opinião, claro!! ;)

    beijo
    Sutra
    P.S.1: Visto cor de rosa... gosto de vestir cor de rosa... e vou continuar a vestir cor de rosa!!...e não me interessa a opinião dos outros!! ;)

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  2. Ainda há um longo caminho a percorrer...e eu que trabalho num mundo de homens sei bem disso!

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  3. Oh, oh, isto dava pano para mangas, já que estamos a escrever sobre...roupa! Sabes, acho que este é um post que o meu Txugo deveria comentar. Ali como o Sutra, também partilho a opinião de que existem pessoas que não têm bem definidas a sua orientação sexual ou então, na pior das hipóteses andam conforme a maré e "vestem-se" de acordo com gostos de outrém, o que a meu ver, é muito pior. O Txugo, o meu adónis perfeitinho e lindão, poderia ser considerado por muitos e muitas como um pouco gay (pouco hã?) porque adora depilar-se todinho, gosta dos seus cremes, do seu ritual de escolher a sua (e por vezes até a minha) roupa diária, escova os sapatos todos os dias, arruma a sua roupa e pendura-a e veste cor-de-rosa para ir trabalhar, de fato e gravata como gerente de uma concessão onde chefia directa e indirectamente mais de 50 homens e apenas 3 mulheres. Se eu gosto de "comer" o que vejo? Há pois claro que gosto. Se há mais quem goste de "comer" e "lavar" as vistas? Há pois há certamente. Mas a verdade é que é preciso um homem (ou mulher, noutras coisas) ser muito seguro de si, da sua sexualidade e ser alheio a julgamentos de moral e carácter para ignorar certos olhares e comentários reprovadores que inibem imensos outros de o ser e fazer.
    Belo tema, quanto ao link, fui lá mas a sério, qual é a mulher que não gosta de ver um homem a espalhar charme com um daqueles pullovers rosinhas por cima do pêlo?
    Beijocas nossas ;)

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  4. Percebo perfeitamente o teu texto e até calculo de onde surgiu a ideia para debater este assunto. Concordo com tudo o que dizes aqui, não deixas de ter razão, e não acho que a orientação sexual de cada um seja ditada pelas cores ou acessórios que usa. Obviamente que não. Mas todos nós temos os nossos gostos pessoais, as nossas preferências, coisas que gostamos ou não de usar e gostamos ou não de ver os outros usarem. Quando eu digo, por exemplo, que não gosto de ver um homem de cor de rosa, ou de lencinho ao pescoço, ou de mala a tira colo, não estou a dizer que acho que ele é gay. Simplesmente não gosto da imagem que ele me transmite. Da mesma forma que não gosto de ver uma mulher de mocassins, ou de calças de fato, ou de gravata (como tanto se usa ou usou). Nunca calçaria ou vestiria tais coisas e, no entanto, sei muito bem qual é a minha orientação sexual. Já agora, e para veres até onde podem ir as minhas preferências estéticas, não gosto de homens com cabelo comprido e nem de mulheres com cabelo muito curto. E isto nada tem a ver com preconceito, são apenas gostos:)

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  5. Bom, nós temos uma maior variedade de roupita e acessórios... admito que não gosto de ver homens demasiado cor-de-rosa (apesar de uma camisola rosa não ter mau nenhum). Tudo o que é exagero acaba por cair mal.

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  6. Desde que nascemos que somos "formatados". Curioso que os aspectos que tu focas, e com os quais concordo, têm na maior parte das vezes como únicas responsáveis...as mulheres. Quando somos mães começamos logo a comprar roupa de acordo com o sexo. Depois, bom, depois são os brinquedos. E assim vamos formatando e passando os dogmas que nos foram passados.

    Não é fácil impor a nossa própria personalidade face a tudo aquilo que fomos "adquirindo à força".

    Acima de tudo, é difícil não julgar os outros pelos nossos próprios padrões. Mas faço um enorme esforço e tentei transmitir às minhas filhas que o ser humano é muito mais do que a "roupagem" e que os gostos são sempre pessoais e relativos.

    Beijo

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  7. Tudo depende o, ou seja, não é a atitude ou o que se veste que define o género, o género nasce connosco, é óbvio que se tende a estereotipar, mas creio que toda a gente tem percepção disso visto que para uns esse estereotipo vai-se reflectir na atitude pessoal de cada um e nas suas decisões, mas outros estão-se bem borrifando para isso. O gosto e a cultura são sempre relativas da mesma forma que um estereotipo também, resta saber se alguns conseguem ou não lidar com eles.

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  8. Infelizmente a nossa sociedade é assim, julgam-se as pessoas pela aparência e pelo que vestem...eu cá adoro ver um homem de rosa!!!

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  9. Detesto ver homens a parecerem todos jogadores de futebol.

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  10. Bom blog +.+



    SIgo



    Visita:


    http://www.facebook.com/pages/Apontamento/148429151889831

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  11. Acho que ainda tem certas coisas que a sociedade precisa aprender. Hoje, grande parte das pessoas no mundo aceitam a orientação sexual dos outros. Mas, héteros algumas vezes se sentem ofendidos, porque muitas pessoas que não tem essa orientação sexual e sofrem preconceito, acabam machucando e ferindo pessoas que não tem preconceito por elas no sentido de usar "todos os" e bom, eu adorei seu texto. A humanidade evoluiu MUITO mas ainda tem muito mais pra evoluir. E bom, o fato de que muitas pessoas notam a aparência somente, ou acabam reparando, mesmo sendo "sem querer" é porque a mídia coloca na cabeça um tipo de padrão. Infelizmente querendo ou não, a gente acaba percebendo, notando e vendo, criticando um pouco dos outros com esse "padrão".

    Adorei seu blog, tanto essa quanto as outras postagens.
    @hellswetri

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  12. Nunca liguei a maneira como as outras pessoas se vestem, se são magras ou gordas, deficientes ou não, nunca diferenciei ninguém, nunca.
    A única coisa que tenho a dizer é que o povo português é muito atrasadinho das ideias.
    Beijos:)
    P.S-Adoro um homem de rosa:)

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  13. antes mais do que o cor de rosa,nos homens era sinal de homossexualidade. assim como o uso de calças nas mulheres, as que s aventuravam a usar diariamente esta indumentaria (fato completo um pouco À homem) era tido por lésbica.
    kis .=)

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  14. Ainda bem que cheguei a um universo de mentes abertas. Assim, aqui posso falar na minha problemática quanto às ceroulas que visto: eu gosto mais daquelas brancas com braguilha mas no ginásio olham-me de lado. Contudo, gostaria de me aventurar naquele tipo de collants de homem de várias cores. Agora, acho que ganhei coragem. Obrigado.

    P.S. O texto está estupendo. Parabéns.

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  15. Oi Essência,

    Sabe que acho que nunca chegaremos à igualdade? Penso que pelo menos no que diz respeito ao comportamento sexual, pode-se evoluir o que for que ainda serão cobradas posturas da mulher que julgo ter raízes bem mais profundas do que a social ou a do preconceito, creio ser este um reflexo da aura de santidade e pureza que a maternidade cria em torno do feminino.

    Um beijo

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  16. o problema é a sociedade, ainda temos um longo caminho a percorrer.

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  17. É um bom post, mas discordo em parte com ele. Em relação ao rosa eu já assisti ao inverso. Ao uso dessa cor para mostrar que 'é seguro' da sua sexualidade, para mostrar que é um 'macho' e que não tem pudores de usar cores que outrora eram associadas ao sexo feminino.
    Agora pergunto...da mesma maneira que há o preconceito do uso da cor, é preciso usar cor-de-rosa para mostrar que é seguro da sua sexualidade? Não.

    Acho que acima de tudo são os objectos num todo (cor, forma e luz) que diferenciam o sexo. É isso que faz as mulheres serem mulheres e os homens serem homens. E ainda bem que isso existe. Ainda bem que há diferenças de sexo (não estou a associar a orientação sexual) fomos feitos diferentes, diferentes deveremos permanecer.
    Para terminar deixou mais uma pergunta...é preconceituoso associar à homossexualidade um homem com piercing num umbigo? Então eu sou preconceituoso e não serei o único.

    É mais parvo quem trata mal as pessoas pela orientação sexual do que quem 'goza' por que associa um objecto ao sexo ao oposto

    Já está longo o comentário, mas poderemos debater isto um dia caso queiras.

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  18. Não vou responder a cada um de vós porque a minha perspectiva está bem patente no post. E bem alongada por sinal. Respondendo individualmente, só estaria a repetir-me. Assim sendo, somente agradeço os vossos comentários com as vossas ideias.

    Obrigada :)

    Kiss

    Leitor,

    Sê bem-vindo ao Roupa Prática. :)

    Entendo a tua perspectiva, mas porquê que temos que dar como dado adquirido que determinada acção é uma afronta ou só quer impor uma posição? Porque não pode ser unicamente visto como um gosto pessoal, ponto? Será que é assim tão difícil?!
    Quanto à tua pergunta, e bem sensata resposta deste de seguida, acho que já disseste tudo. ;)

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