Como escrevi (
neste) post, não consegui ir à reunião de condomínio. Mas depois, através da carta que vem à posteriori, soube quem tinha ficado responsável este ano, etc, etc...
Na semana que passou, desde segunda-feira que o esgoto na garagem rebentou. Um fedor que nem vale a pena descrever. Começar logo a semana com aquele cheiro, o estômago ia-se-me embrulhando. Bom, passa segunda-feira, passa terça-feira, passa quarta-feira e nada de ver aquilo resolvido. Ainda por mais, aquela nojeira saia logo logo no meu lugar. A coisa fica mesmo entre o meu lugar e mais de um outro vizinho que pelos vistos, nada fez. Quarta-feira lá vou eu bater à porta de um dos que tinha ficado encarregue do prédio. Nada de atender. Vou à outra, nada. Passa quarta-feira, passa quinta-feira, passa sexta-feira, nada se resolvia. Não encontrava ninguém em casa. Ainda por cima, o maravilhoso, os contactos e tudo está com quem efectivamente fica responsável pelo prédio, nas pastas. Fica tudo guardado na sala de reuniões do condomínio e a chave fica à mercê dos mesmos. Por isso, estava com as mãos e pés atados. Fim-de-semana, só no domingo à noite é que consegui falar com um dos responsáveis, a vizinha. Não sabia nada de nada. Não sabia como havia de resolver a situação, além de que ainda queria perceber como tinha ficado ela responsável sem sequer a terem-na perguntado tal coisa. Logo percebi que ali não ia conseguir resolver nada. Entretanto no decorrer da curta conversa que tínhamos tido, diz-me que a vizinha do 6º andar (a tal que pôs a moto no meu lugar na garagem e que agora nem uma saudação verbaliza. Educada, portanto.) ainda estava encarregue. Pois ainda não se tinham reunido para que passassem as pastas e tudo mais. Lá pensei para o meu decote: "lá tenho que ir à toca da dita...".
Respirei fundo e lá fui bater-lhe à porta. Abre-a com aquela cara de carneiro mal morto. Explico-lhe o que me levava ali, responde-me secamente e depressa: "eu não tenho nada haver com isso. Já não sou eu que estou à frente do prédio." - Volto-lhe a repetir calmamente o que a outra vizinha tinha dito. Volta a ripostar completamente atabalhoada: "porque não faz a vizinha? Sabe quem fez da outra vez que se deu o mesmo? Fui eu (orgulhosa de tal façanha)!" - Respondi-lhe incrédula: "desculpe?! Por carga de água está a dizer-me para desentupir o esgoto do prédio?! Porventura não pago o condomínio? Porventura não há dinheiro para se chamar alguém? Porque o fez? Alguém a obrigou ou disse para fazê-lo?." - Começa a falar para não sei quem porque deixa de olhar para mim e continua enfim, nem sei como qualificar tal linguagem. Uma falta de educação, de tudo, caramba! "São ingratos! Está uma pessoa a pensar no bem do prédio, em poupar e depois ouve isto. Continua a alucinar. Porque não liga a vizinha?" - Comecei a rir e a pensar em que filme tinha-me ido meter. Cortei com a conversa porque ela já estava a estrapular. " Não ligo por uma razão muito simples. Não sou eu que estou encarregue do prédio. Para alguma coisa são nomeados duas pessoas neste prédio. Duas. Duas para que as coisas estejam sempre em ordem. Acho um absurdo você agora questionar-me porque não ligo. O que vim aqui fazer foi informar. Porque pelos vistos fui a única que detectei a "anomalia". Acho estranho tantas pessoas usarem o parqueamento, o prédio, e ninguém, ninguém se dar conta. Ninguém dizer nada, inclusive você. Deve ser, deixe ver, pelo esgoto ter rebentado justamente no meu lado do parqueamento. Deve ser por isso que as coisas andam assim. Só que as pessoas são tão egocêntricas que esquecem-se que o prédio é a casa de todos. Rematei a conversa em dizer que já tinha feito o que me tinha levado ali. Responde-me que só no meio da semana que conseguia resolver.
Ontem, toca-me à campainha. Era ela. Com as mãos sujas de merda, um cheiro que minha nossa, com aquela cara de sei-lá-bem-o-quê e diz: "pronto, vizinha, já está!" - Nem queria acreditar no aparato que me apresentava. Devia estar com cara de parva perante tal visão dos infernos: "mas fez isso novamente?! Qual a necessidade?! - Gloriosa por tal acto responde: "sim, fiz!" - E então, e o que quer que lhe diga?!" - Olhou-me com aquela cara de sapo e foi-se embora. Pensei enquanto fechava a porta: "ele há com cada uma...".