quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Criar raízes, faz parte da nossa essência, ou não.


Tontamente questiono: "o que me faz continuar por aqui? Além, obviamente de gostar imensamente de escrever as minhas tontarias e alguns, pouquíssimos, mas alguns devaneios, claro?"
Eis que o decote, o sábio decote não se inibe em responder: "oh Céus, Essência! Que pergunta mais taralhoca é esta? É claro que é pelo facto de leres as partilhas de outros bloggers. As vivências e outras coisas que tais. Sim, miúda."
Concordo plenamente e acrescento mais. Acrescento que vou retendo tantas coisas que vou lendo daqui e dali. Depois, reflicto, questiono, quando não acabo por opinar e passar trocadilhos para aqui, pois. Com isto, nem de propósito, a situação se instala neste post. Mais concretamente derivado a (este), texto. Ora, não é que assim que desliguei o computador, eis que a minha mente começou logo a trabalhar. A trabalhar no sentido de me projectar para tal tema.

Sou do tipo de pessoa que preza muito o que tem. Dou extremo valor às minhas coisas. Talvez porque sempre as consegui a pulso. Sempre consegui por mim. De facto, o sabor, o valor a se dar e sentir é outro. Não gosto de me desfazer dos objectos, não. A explicação que encontro e porque é assim que as sinto, é que não compro nada somente por comprar. Tanto para mim, para casa ou até mesmo para os outros. As coisas têm que me dizer algo. Têm que fazer sentido. Despertar aquele interesse. Por exemplo, as peças de roupa, sapatos, malas e todas as parafernálias (não sei se existe esta palavra, mas aqui soa-me bem (risos)), de acessórios e afins, pode-se ver, as tais coisas, como meros objectos, que não passam de bens materiais, nada mais... mas quanto a mim, as vejo todas, cada uma à sua maneira como companheiras de momentos. Elas levam consigo histórias minhas, vivências "presenciadas", e isso para mim diz tanto. Não as posso considerar como meros objectos. Porque se estão comigo, não podem ser rotulados como tal.
A casa, é outro exemplo bem fidedigno. É o meu Mundo. O meu refugio. O meu porto-de-abrigo. O meu porto-seguro. É ali que vivi e continuo a viver as mais diversas emoções. É ali que está espelhado a minha personalidade. Em cores, objectos, disposição de móveis... foi ali que comecei o maior ciclo da minha vida. Foi ali que nasceu a minha Zunfinha. Foi ali, que tudo começou, até aos dias de hoje... em suma, acredito que por isso as veja de uma maneira muito íntima. Atrevo-me a escrever que, crio laços, sim. E é por isso que me apego as tais coisas. É por isso e também que, em consequência, as rotinas, os rituais estejam intrínsecas em mim. No entanto, quanto a estes apontamentos, as rotinas e os rituais, se for preciso, guino em sentido contrário. Só porque sim, ou não. É que em contrapartida, e apesar de tudo, não gosto do que é excessivamente óbvio. É possível conseguir tal façanha, afirmo.
Algo que também merece destaque, associo os cheiros, músicas a momentos, a pessoas, a sítios. Dou a devida importância a estas associações. Oh, como dou... sabe-me bem quando isso acontece. Esboço aquele sorriso nostálgico. É bom, muito bom.
Posto tudo isto, concluo pela milésima vez que sou de raízes. Tolda-me a mente, a alma só de imaginar que seria diferente. É a minha essência, somente isso. 

14 comentários:

  1. E espero que essa raiz criada aqui, não sinta a necessidade de se mudar para outro lado ou percorrer outros caminhos.
    Quanto a esses laços, acho que quem os tem, torna-se um ser mais completo. Não por mero materialismo, não. Mas porque tem a capacidade de recordar momentos, cheiros, pessoas, etc...Também os tenho, então memórias de olhares, de palavras...Tenho cá tudo guardado.
    E há objectos que tenho uma grande estima. Ou porque os lutei para os ter, ou porque me aquecem um bocadinho.

    Beijo Lady Essência :)

    (gosto mesmo de te ler pá...)

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  2. Oh pá...agora deixaste-me quase sem palavras.
    Sabes, tamém já fui assim como tu, muito apegada às coisas, às parefernálias e aos objectos, por mais insignificantes que possam parecer, como um bilhete de cinema ou uns pauzinhos do japonês, vê lá! Mas aprendi que me basta relembrar deles para sentir o mesmo que sinto quando lhes pegava, o sorriso é o mesmo, a nostalgia também. Mudar complicou-me(nos) bastante a vida, tanto que tive de aprender a desfazer-me dos bens, não necessariamente das recordações que eles me trazem, ainda hoje! Sou como tu num aspecto, crio laço emocionais e esse eu tento não os quebrar por mais mudanças que faça, o quarto da minha filha tem sido o mesmo em casa diferentes e vai continuar a sê-lo na casa nova, uma cópia fiel do seu primeiro quarto. Mas tens razão, a vontade de criar uma raiz única, aquela sensação de pertença a um local, perdi-a no tempo e espero, acredita que desejo mesmo, a vida me volte a dar desta vez, acho que mereço, por tudo o que já sabes!
    Por conseguires continuar dentro do teu Mundo, do teu abrigo e continuares a cultivar as tuas raízes é que faz de ti a Essência que todos gostam de visitar!
    Bejocas nossas ;)

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  3. Fantástica!
    Não mudes e continua por aqui é muito bom passar por cá:)
    Beijinhos

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  4. Eu adoro a família, o meu lugar, a minha casa... mas adorava voar para longe.

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  5. Também já crieei montes de raízes, os meus amores, a minha casa, a minha família, mas neste momento confesso que se tivesse de deixar o meu país não me importaria de deixar por cá algumas raízes e criar novas raízes com os meus amores noutro lugar. : )

    bjs

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  6. Faço minhas as palavras do comentário da Karochinha... letra a letra, palavras a palavra!
    (se a karochinha deixar, claro!! :D)

    beijo
    Sutra

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  7. Sutra, claro que deixo, ora essa, não te(vos) respondi nos comentários que me deixaram lá no post mas sei o que é viver nestas circunstâncias há demasiado tempo, por mais desapego que se crie e que se aprenda a deixar de lado as "nossas coisas", existe aquele desejo em nós de ter um lugar, aquele lugar especial...e esse eu já tive, perdi-o e espero que em breve, volte a ter. E como tu, também sei o que é viver em quartos de hotel, ter uma mala apenas, com aquilo que nos faz falta mas faltando tudo o resto, certo? Como te compreendo...acredita!
    Beijocas também para ti ;)

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  8. Karochinha, se estivesses aqui dava-te um abraço!

    beijo
    Sutra

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  9. olá. É sinal que tens pés bem assentes na terra. Pessoas conscientes, quando pensam em gastar dinheiro, pensam sempre na casa. A minha mãe prefere dar atenção ás casas e ás coisas que compra para a casa, pinturas da casa em vez de gastar dinheiro num carro. Eu quando compro alguma prenda para a minha Mãe ou outra pessoa, tento ir de encontro ao gosto da pessoa. Lar doce lar, não é ? beijos

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  10. Acho que os objectos também têm alma. Vivências nossas e por vezes vivências de outros que nos foram transmitidas. Eu pelo menos sinto algumas histórias da minha avó como se as tivesse vivido e olho para os objectos e é como se estivesse lá.

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  11. Boa sexta feira e bom fim de semana!! Epah essencia concordo plenamente contigo...sou como tu assim ligada a tudo e custa-me desligar das coisas..enfim somos umas tolinhas =D Beijinhossss

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  12. As duas na letra,

    :)

    Palavra,

    Obrigada. Eu também gosto de te ter por cá e, ir lá ao teu espaço. :)

    Karochinha,

    Não fiques sem palavras. Precisas delas para continuares os teus textos. ;) E, além do mais, não disse nada demais. Só constatei um facto, somente isso. Porque sim, o mundo dos blogues é feito de partilhas do autor e de quem lê os textos. Pelo menos eu, entendo assim. :)

    aprenderaorganizra,

    Oh, assim vocês me deixam coradinha, coradinha como só. Obrigada. ;)

    S*,

    Também não ponho de parte essa hipótese, principalmente nos dias que correm mas, teria que ir com os meus pilares, sim. ;)

    Maria,

    Concordo. Tanto que respondi por outras palavras o mesmo à S*. ;)

    Sutra,

    Preguiça de escrever, senhor Sutra? Humm... por mais que concordemos com alguém, há sempre o que acrescentar. :P

    O blog da S.,

    :D

    apenas umas palavras,

    Não passa somente pelos bens materiais, como ficou bem patente no post. ;)

    Vee,

    Agora que escreveste sobre a tua avó lembrei-me que, quando a minha avó morreu, enquanto os meus primos se gladiavam pelos pertences de valor dela, nomeadamente, jóias, peças valiosas e afins, eu, só quis a bengala da minha avó que anda comigo no meu carro e um xaile que ela usava. O tenho no meu biombo no quarto. Nada mais quis, porque aquelas peças, para mim tinham e têm o maior valor de todos, o valor sentimental! :)

    Li,

    Bom fim de semana. :D

    Kiss

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"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo".♥ - Fernando Pessoa

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