segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Aguenta coração


Hoje, quer dizer, neste exacto momento que estou a começar a escrever este post, já vivi as primeiras e grandes emoções do dia. Sim, o primeiro dia de aulas da minha Zunfinha, 1º ciclo.
Engraçado que muitas vezes pensei, imaginei como seria o primeiro dia de aulas dela. Como ela iria reagir, se comportar até. Sim, muitas vezes, muitas pus-me a divagar sobre e nunca em tempo algum imaginei que iria ficar da maneira que fiquei, que ela iria reagir da maneira que reagiu. Estava ansiosa, nervosa. Oh céus, o coraçãozinho dela batia a mil à hora. Senti assim que o corpinho dela frágil encostou no meu. Naquele momento, senti uma extrema necessidade de a proteger. De a amparar nos meus braços para que ela se sentisse segura, protegida junto da sua mamã. Senti vontade de voltar para dentro do carro e irmos para casa, para o nosso refugio, o nosso porto seguro. Oh, mas depressa conclui que não podia, que não havia volta a dar. Afinal, há que enfrentar os medos de frente, de cabeça erguida. Eu faço isso com os meus e quero que ela também comece a agir de igual forma, enfrentá-los, sempre. Mas verdade é que, por mais que eu saiba disto tudo e muito mais, o sentimento e a necessidade  de a proteger por momentos falou mais alto.
Antes de sairmos do carro, ela vira-se e diz, "mamã, sabes, quando fico nervosa, penso em ti e no papá para me acalmar" - Caramba, se já estava com o meu coração aflito de vê-la assustada, depois do que ouvi o meu coração ficou espremido de comoção. No entanto, olhei para ela com aquele sorriso de, "vai correr tudo bem, vais ver!" - Saímos em direcção à escola. Ela bem agarrada a mim, com a  lancheira e a mochila de rodinhas que ainda não está bem familiarizada com a dita mas, parecia uma senhorinha. Quis levar tudo o que lhe cabia.
Chegada à porta da sala de aula pronto, o meu coração voltou a disparar (imagino o dela mas, dali para a frente, fez-se de forte, eu sei), só de imaginar o que poderia estar a sentir. Os olhinhos dela olhavam para tudo e todos. Despediu-se a correr para terminar com aquele suplicio que estava a ser para as duas, eu sei também que sim. Não fosse ela uma mini too tão idêntica à sua mamã...
Também saí dali mais depressa que pude, confesso. Queria rapidamente entrar no carro para respirar fundo e soltar a emoção que estava a sufocar-me o peito, porque não podia e nem devia passar nada do que estava a sentir para ela, não. Só quis passar o melhor, mesmo que o esforço que estava a fazer fosse titânico, não interessa, não seria justo além das emoções dela, lidar com as da mãe. Oh, oh, não me perdoava, de forma alguma.
Entrei no carro e, inevitavelmente, fiquei com os olhos cheios de água. Oh que lamechas que fui sair nesta altura do campeonato, raios! Assim como assim, após o impacto, e as emoções à flor da pele amenizarem, depressa pensei para o meu decote: ela é forte, esperta. É uma menina de fácil adaptação e, num instante, irá ultrapassar os medos que surgiram nesta nova etapa da sua vida. Eu sei que sim. Pois esta, é a primeira de muitas!

12 comentários:

  1. Oh com uma mãe como a Lady Zunfinha tem, claro que ela ultrapassa isso tudo! :)
    Acho que esses sentimentos são perfeitamente normais (eu cá sei pelo que vejo à minha volta que ainda não tenho os meus...) mas passam e cada vez são mais fáceis de lidar. E minha querida, quando ela tiver 30 anos ainda a vais querer proteger por isso, sossega o coração que isso é prá vida toda :) *****

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  2. Olá. mas devido á formação que tem, porque noto que a tua filha é bem educada e está a crescer com valores, vejo que vai ser uma grande Mulher e que vai saber respeitar os outros que lhe rodeiam. Estou para ver, como vai ser, quando chegar o dia de eu ser Pai e de ir levar a criança á escola. fica sossegada, que a tua filha vai adorar a escola. Pode custar os primeiros dias, mas depois vai ser porreiro, pelo que vejo com os meus Primos. O meu primo custou-lhe os primeiros dias no infantário. Como a minha prima era mais velha, e andavam em turmas diferentes não almoçava com ele. um dia em que ele estava a chorar e que não comia, chamaram-na para ela o acalmar e para fazer com que ele comesse e ele comeu. E depois vai fazer amigos. Quanto aos meus primos e á minha prima, há anos que tem a mesma amiga com quem fez o ensino básico. A minha prima já está no 6º ano e tem actividades com muitas das amigas que andaram na primeira classe com ela, têm instituto juntas, o ballet e isso é bom para eles. E os Pais de uma das amigas da minha prima também se tornaram amigos e convivem, o que é bom para os miúdos. E assim ficam mais amparados, já que o Porto não é o Marco de Canaveses. É bom que eles se sintam amparados no Porto, já que a família vive longe, no Marco. beijos e que tudo corra bem contigo e com a tua filhota.

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  3. Logo quando sair será mais um rol de emoções quando debitar as novidades do primeiro dia de aulas! :)

    beijo
    Sutra

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  4. E à medida que vão crescendo o sentimento de que falas não nos deixa. Daqui a um mês a filhota mais velha vai para outro País para desbravar o seu próprio caminho. Até lá, vou ter que me habituar que aquela menina que deixei à 17 anos na escola primária já é uma mulher.

    :)

    Beijo

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  5. Não sou mãe, provavelmente nunca serei (pelo menos biológica), mas imagino como seja difícil (e esse é um dos motivos pelos quais não sou) e emotivo! És uma excelente mamã!
    Beijinhos

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  6. Acho que todas as mães passam por isso. É o inicio da nova fase da vida dela e aposto que te sentes muito orgulhosa!

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  7. Ohhh, eu senti hoje algo muito parecido com o meu menino de dez anos que foi hoje para o 5º ano numa escola diferente, ele estava nervoso e eu também fiquei. Mas temos de ser fortes, por eles e deixá-los ganhar independência mesmo que isso nos custe tanto. E por vezes custa mais ao nosso coração de mãe do que a eles que se adaptam facilmente às mudanças.
    Que tudo corra bem à tua menina nesta nova fase. :)

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  8. Penso tantas vezes nisso...e ainda falta tanto...tadinha da Zunfinha e da mãe....uma pessoa quer protegê-los sempre,é inevitável....mas ela vai adaptar-se,é forte,como a mãe!

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  9. Como te entendo. E, à medida que crescem, mais medos e inquietações se vive.
    Já passou e, não te esqueças de contar como foi o regresso da escola.

    :)

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  10. Como te entendo e ainda me faltam 4 anos...já fiquei com o coração apertado só de te ler, imagino-te com a garganta apertada e o coração pequenino! E a tua Zunfinha é uma menina cheia de sorte, tem uma Mãe valente, que segura as lágrimas e as guarda longe daqueles olhinhos para não a apoquentar mas olha que ela apercebe-se de muito mais disso e acho que tu sabes! Mas deixá-los voar, assim sozinhos, é assustador, é isso, não é? Beijocas mesmo, mesmo compreensivas e espero que amanhã seja mais suave!

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  11. Palavra,

    Sim, é para a vida toda. :D

    apenas umas palavras,

    Tento todos os dias incutir nela tudo aquilo em que acredito, sim. ;)

    Sutra,

    Foi sim um debitar de informação sem fim. :D

    NI,

    Um beijo em ti, mãe. ;)

    Gata,

    Obrigada! :)

    Sónica,

    Ui, estou babada como só. ;)

    Maria,

    Obrigada e igualmente para ti. :)

    Mamã,

    Temos que tentar pelo menos estar preparados para estas e outras eventualidades. :D

    desejo,

    Bom, o regresso à escola, além das emoções que passei no post, foi tranquilo por aquilo que ela (Zunfinha), passou-me e a professora. Porque sim, fui chata e fui ter com a senhora professora, no meio dos seus afazeres e perguntei como foi o dia da Zunfinha, assim como queria saber o seu feedback. Num modo geral foi normal, tirando o facto de ela ter chamado à atenção da Zunfinha porque ela estava a ralhar com o colega por lhe estar a chatear (risos). Tirando esse contratempo, ela (professora), disse que tem boas referências da Zunfinha da professora do ano passado. Que nota que ela tem boas bases e que isso já é meio caminho... agora, a ver vamos como corre o ano lectivo. Estou expectante, sim. :)

    Karochinha,

    Sim, eu sei que ela nota quando não estou bem, claro que sim. Não fosse ela uma criança atenta a tudo o que está à sua volta. E sim, custa vê-los voar. Mas não é no sentido de eles ganharem a sua independência e autonomia, não! É nesse vôo encontrar muita turbulência e nós pais não conseguirmos ajudá-los. Isso sim, assusta-me, verdadeiramente. ;)

    Kiss

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  12. Sei exactamente o que sentes :)!
    Deixaste-me com uma lágrima no canto do olho.
    Ontem senti algo do mesmo genéro quando fui buscar a minha princesa pequena À escola na hora de almoço.
    Mãe sofre :)
    Beijinho

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