terça-feira, 23 de abril de 2013

Mentira deslavada


Na Segurança Social...

O panorama normal daquela repartição é a abarrotar. Pois que, abarrotar estava. Encontrava-me quietinha em pé, perto da porta da saída a ler enquanto esperava pela minha vez. Ali tinha acesso ao entra e sai, assim como todo o ambiente da sala. Com isto, entra uma senhora. Eu estava a ler, é certo, mas chamou-me à atenção porque eu me encontrava mesmo perto da máquina das senhas. Ora que, o que me chamou a atenção foi o frente e trás da senhora naquele pequeno compartimento onde se encontrava a dita máquina. Levanto os olhos do livro e discretamente fico a observar a senhora. Ora que era vê-la a olhar para o painel - acredito que assustada, porque o tempo de espera era surreal -, era vê-la a olhar para a máquina das senhas - acredito que também estava a pensar se tirava senha ou não -, depois, andava uns passos para a frente, outros tantos para trás. Às tantas, após um longo tempo, agarra no telemóvel e liga para alguém e diz: «estou indignada! Não é que chego aqui e já não tenho senhas!» - Pensei para o meu decote: «Oh, a mulher passou-se!» - olho discretamente para a máquina e estava activa. Entretanto enquanto a senhora falava ao telemóvel um homem - parecia um pouco descontrolado de facto -, começa a gritar para ela nestes preparos: você é mentirosa! Oh, oh, ainda se diz indignada... indignado estou eu! A ver a senhora a mentir desta maneira - e chega-se mais perto dela a gritar enquanto proferia tais palavras -. Diga antes com quem está a falar que você não quer é esperar! Oh, agora dizer que não há senhas! Não há senhas... não há senhas... O que se vai pensar da Segurança Social? Quando há razões para falar mal, fala-se! Mas quando não há, não se pisa em cima. Indignada, indignada [resmungos]...

[...]

A senhora barafustou com o senhor é certo. O segurança tentou impor alguma autoridade é certo também, mas às tantas, a atitude mais sensata que a dita senhora teve, foi pôr o rabinho entre as pernas e sair de fininho. Os murmurinhos e sussurros foram uma constante por largos momentos. No final, as pessoas é que ficaram à toa com tal espectáculo - acredito. Eu fiquei! -.  Parecia para os apanhados. Oh, mas não era. Foi bem real.

12 comentários:

  1. Mas que situação surreal. Se ela quisesse dizer isso, diria na rua, agora lá dentro sujeitou-se e só teve o que mereceu...

    ResponderEliminar
  2. Nada como os sítios de antendimento público para se observar a existência e o comportamento da pior fauna deste país!

    ResponderEliminar
  3. Mas havia senha ou não? Hoje em dia as pessoas explodem por tudo e por nada, é a crise, é crise...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como escrevi no post, havia! O que ela não quis foi esperar. Quanto ao telefonema parece que também a pessoa estava a contar com a ida, por isso a necessidade de mentir.Pelo menos foi esta a ilação que fiz. :)

      Eliminar
  4. Tudo o que é repartição pública deve ser palco de acontecimentos notáveis! :P

    ResponderEliminar
  5. Bem. Por mais estranha que ache essa cena, não me admira, pois mentirosos como essa senhora é o que mais há por aí e mentem por tudo e por nada e revoltados como esse senhor acho que andamos todos um pouco. Pareceu-me uma cena um pouco exagerada mas contudo muito possível ou cada vez mais possível nos dias de hoje.

    bjs

    ResponderEliminar
  6. POis é já passei por algo parecido numa paragem de autocarro...num dia de "suposta greve" mas onde ainda havia autocarros, estava um fulano na paragem e liga (presumo eu) para o patrão e diz: Desculpa não posso ir trabalhar pois não há autocarros... e o autocarro mesmo em frente dele e as pessoas todas a olharem!...
    Como é que as pessoas conseguem mentir dessa forma não consigo entender :(

    ResponderEliminar

"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo".♥ - Fernando Pessoa

A essência que queres partilhar comigo é?...