segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Agir com a cabeça ou com o coração?


A Zunfinha vem já a vários dias a pedir-me para lhe comprar bollycao e donuts. Porque quer levar para a escola para os lanches. Segundo a senhorita, as amigas X e W levam e ela gostava de levar também. Bom, há aqui claramente duas situações a serem vistas.

Primeiro: confesso que evito e não gosto muito que ela coma este tipo de coisas. Não sistematicamente. No entanto, sei, porque não me esqueci como era quando tinha a idade dela. Tal como ficava triste quando a minha mãe não satisfazia o meu pedido a determinada guloseima. Hoje sei. No passado não sabia. No passado nem imaginava. E ficava triste. Ficava deveras magoada, mesmo não sabendo bem porquê. O que sabia e o que sentia era que a minha mãe não gostava de mim. Não gostava, porque se gostasse, não queria me ver triste - os putos nem imaginam as cenas dramáticas que podia dar nas grandes salas deste país, com as suas situações de birras e amuos -.
Ora que, reafirmo veemente que as crianças, de facto, também têm a péssima tendência a ampliar tudo de forma gigantesca. Vá, grotesca até. Pensamentos infantis, mas que ficam. Mesmo que só residam meros minutos, horas que seja, enquanto a birra, o amuo está entre a situação, contudo, acabam mesmo, de uma maneira vã que seja, deixar as suas sequelas. Pelo menos até sermos crescidos o suficiente para entendermos verdadeiramente as razões que levaram a nossa mãe/pai - que seja -, a ter determinado comportamento. Comportamento contrário ao que os adultos queriam. E assim, hoje, se trava uma luta constante com o que achamos certo e o que sabemos - porque já fomos crianças -, e sabemos claramente que vai influenciar ambas as partes.

Segundo: mais do que ela comer «porcarias», é o que a leva a querer as mesmas. A Zunfinha tem 6 anos. Não posso ser dura ao ponto de achar que ela é invejosa. Não. Mas também sei que é assim que se começa. Hoje queremos isto. Amanhã outra coisa do outro que tal, e às tantas, os adultos, por acharem que são crianças e não tem mal e mais não-sei-das-quantas e passam a mão. Dão o que a criança quer. Porque coitado, o outro tem, ele também tem que ter. Não. Eu sei e lembro-me perfeitamente que também em criança fui assim. Mas, é aqui que temos que travar as situações e mostrar, tal como explicar porque não se dá isto ou aquilo. Porque há situações que são mimos. Há situações que são necessários, como comer porque se tem que comer. Outra, bem diferente, é colmatar um capricho. Não. Não quero, e o que depender de mim, a Zunfinha será uma menina que só tem o que pode. E quererá o que lhe faz falta e não porque a amiga fulana, ou a amiga sicrana tem. No meu entender, isto é educar. Não castrar. Porque pontualmente e quando não há influências no meio, ela tem os mimos extras de consumo supérfluo. Mas como em tudo, há que ser com peso e medida.

Em suma, não comprei os bollycaos nem os donuts. Expliquei-lhe que além de ser lanches que só fazem mal comido em excesso, que não tinha que ter o que as amigas tinham, mas sim o que ela efectivamente necessita. Ficou triste na altura, ficou. Amuou os minutos seguintes, sim. Mas depois, como sempre - é o que me vale, e é por isso que é gratificante ver que o que digo e faço não é em vão -, chegou-se ao pé de mim e disse que entendia. Perguntou se de quando em vez podia comer os donuts e os bollycaos, ao que lhe lhe respondi que, logo se via. Porque com o «logo se vê», não me estou a comprometer. E, quando prometo algo, gosto de cumprir. Ela sabe disso. Assim como sabe que, quando ouve «logo se vê», sabe que pode acontecer ou não o determinado pedido que fez. E assim, arduamente se educa deste lado. Com medos, com receios, mas com a certeza que estamos a dar o nosso melhor.

Agi com a cabeça. Agir com o coração, fica para outros entretantos...

16 comentários:

  1. Às vezes o coração precisa de ficar um bocadinho calado..não acho que tenhas feito mal. Pelo contrário. Por ambos os motivos.
    Mas de vez em quando podes é mandar 1 miminho que as colegas não costumem levar, até uma coisa que não faça tanto mal. Às vezes levar 1 oisa diferente é bom :)
    Mas isso sou eu, que não tenho Zunfexes ainda :)

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  2. Também vejo e sinto a "arte" de bem educar assim dessa forma. Porque tem de ser....porque senão paga-se a factura anos e anos a fio, como costumo dizer. E porque só conseguiremos ver e apreciar o resultado deste esfoço todo (sim, porque muitas vezes é um esforço e um sacrificio negar algo aos nossos filhos que até podemos dar) mais tarde, quando eles mesmo forem adultos. E finalmente, em resposta a muitas pessoas que me dizem que gostam de poder dar tudo o que podem aos filhos, respondo-lhes que enquanto mãe, não lhe posso dar tudo e ainda bem, mesmo que pudesse não o faria, ela terá aquilo que precisa e isso fará, espero e desejo, toda a diferença.

    Beijocas e muito bem, irei fazer o mesmo, com toda a certeza!

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  3. Não tenho filhos, mas na minha casa não se comem alimentos pré-fabricados. Faço pão, faço bolos, mas não se comem coisas como donuts, manhãzitos e outros.
    Quando tiver uma criança, pior será, por causa dessa questão das escolas e amiguinhos.

    Mas gostei da tua posição e atitude.
    Ela não tem que se sentir diferente e é isso que tem que se incutir nas crianças, na minha opinião.

    Até porque ela come muito melhor do que as amigas de certeza.

    Uma beijoca!

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  4. No Natal ofereces-lhe um bollycao, aposto que vai ficar felicissima**

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  5. Ser mãe é de facto uma dura tarefa. Parabéns Essência, na minha modesta opinião estás a sair-te muito bem.

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  6. Tendo em conta o pedido que era acho que fizeste muito bem em agir com a cabeça. E por vezes educá-los custa. Mas têm de ser assim.
    Também, nem sempre satisfaço todos os desejos do meu Puto Francisco e ele já sabe que quando digo não é não mesmo.

    bjs e boa semana. ;)

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  7. Vais no bom caminho.

    Ser mãe é educar. Por muito que nos custe (sim, também nos custa). :)

    Beijo

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  8. Acho que fizeste bem e sim,a isso se chama educar!És uma excelente mãe essência!

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  9. educar é difícil. Mas parece-me que vais no bom caminho. temos de ser assertivos. bejs. isabel.

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  10. Sabes o que eu ainda acho mais grave e que poderá ainda tomar proporções mais graves?
    É o ter porque os outros também têm!
    Para já é só um bollycao ou um donut... mais tarde um Iphone... Deus me livre! Nunca fui nessas conversas por isso, se dou é porque quero dar e não porque sou chantageada.

    Um beijo doce xxxx

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  11. Uma atitude correta e que ela entendeu.
    Já agi,há anos, dessa forma e deu resultado.
    Daqui a alguns anos, a Zunfinha vai agradecer-te.

    Beijinho

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  12. Fabolous photos.
    U have such an amazing blog, would u like to follow each other ?

    xoxo

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  13. Fazes bem! nunca dei nada disso aos meus e eles agora nem gostam! Preferem um pão e uma fruta!

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  14. Claro que as crianças dramatizam. Não conhecem reais problemas e, por isso, ampliam os pequenos problemas. Não deves ceder, um pão com qualquer coisa é muito melhor.

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  15. Mas é assim que tem que ser, e no meu ver é o mais correcto, o Afonso tb pede donuts e bolyycao e só lhe dou de vez em quando, até porque faz mal em excesso.
    A mim o que custa mais é nesta altura das ferias em que os miudos estão no ATL, levam tudo para a escola, PLaystion, Nintendos brinquedos caros e eu sempre disse ao Afonso que essa coisas não se levam para a escola , pode ser estragado ou roubado, ele tem uma Nintendo desde Agosto, já tentou por varias vezes levar, mas explico sempre que não é o melhor brinquedo para levar, o problema é os outros miudos, se há pais que nao se importam eu importam me e muito.

    A educação parte dentro de casa e somos nós os responsaveis pelos limites que impomos aos filhos.

    Beijinhos

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  16. Fizeste bem Essência.... essas coisas devem ser mimos que se dão de quando em vez não de forma regular.... beijo

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