Tal facto faz-me pensar o quanto a nossa memória é livre, conseguindo contrariar a nossa vontade, sendo preciso engana-la ou ter uma força esmagadora para a domesticar. No fundo o máximo que conseguimos é chegar a um compromisso de equilíbrios, sabendo que há coisas que só com dificuldade nos vamos conseguir lembrar, ao passo que outras será muito difícil esquecer."
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2. [Sem título] - "Ulisses"
Saí do trabalho. Os dias já estão mais compridos, por isso saio ainda com a luz do Sol a dourar o topo dos edifícios.
Subi a rua a pé e dei com uma rotunda, ornamentada com uma fonte, no centro de um cruzamento mais que movimentado. Olhei para a estátua de onde jorrava a água e pensei para comigo a quantas coisa teria ela assistido ao longo do tempo em que tem estado ali.
Atravessei a estrada, até a rotunda, e sentei-me na fonte. Fiquei imóvel, fechei os olhos, respirei fundo, enchendo os pulmões e prendi a respiração para que nem o som da respiração me distraísse. Depois, dediquei-me a ouvir.
Chegaram até mim os sons da cidade, entraram em mim, aparentemente caóticos e descoordenados, mas ao mesmo tempo parecendo uma sinfonia, dirigida por um qualquer maestro oculto. Depois, à medida que os meus pulmões reclamavam ar, a batida do meu coração começou a fazer-se sentir nos meus tímpanos.
Expirei por fim, abri os olhos, mas deixei-me ficar ali, imóvel, como se fosse parte integrante da fonte à beira da qual estava sentado.
É estranha mas deliciosa esta sensação de que tudo à nossa volta se move.
As ruas estavam constantemente pejadas de homens e mulheres, todos eles com as suas mascaras padronizadas.
Os homens com fatos azul-escuro, cinza ou preto, camisas brancas, azul claro ou cor-de-rosa esbatido, variando apenas nas gravatas usadas. Todos iguais, como parte de um exército estranho que vai para o campo de batalha armado com canetas, calculadoras e argumentos legais.
Elas, todas completamente diferentes umas das outras, mas todas com a mesma saia quatro dedos acima do joelho, todas com o cabelo pintado, para não se verem os brancos da idade, todas maquilhadas, umas mais, outras menos, conforme as marcas da idade, e com as distinções sociais a serem feitas pelo estatuto das marcas que cada uma usava, mas todas elas a quererem parecer competentes, sensuais e fortes.
Via-os e perguntava-me, quantos deles se empenharão tanto na sua vida pessoal como se empenham na sua vida profissional?
Quanta desta gente que anda apressada de forma tão sensual, e por vezes mesmo ousada, pelas ruas desta zona “in” da cidade, na esperança de cativarem os clientes os chefes, os desconhecidos que se cruzam, chegam a casa e tentam cativar os companheiros?
Quanta desta gente chega a casa desgastada pelo esforço que faz para ser outra pessoa durante um dia inteiro e não tem paciência para investir na relação com o companheiro ou companheira, e na relação com os filhos?
Quantas separações há, entre cônjuges, entre companheiros, entre pais e filho, por causa destas mascaras?
Quantos homens e mulheres não se queixam de que os respectivos companheiros não lhes ligam e caiem na tentação da traição com colegas de trabalho, porque estes elogiam e enchem o ego?
E porque é que os companheiros não ligam? Será tão fácil e normal seduzir alguém que está vestido para seduzir, como alguém que está com um pijama largo e desbotado e a cara cheia de creme para as rugas e onde nem se vê um centímetro de pele.
Estranha sociedade esta onde o sucesso se mede, muitas vezes, mais pela capacidade de sedução e afirmação do que pela competência e capacidade de realização. Onde se dá mais valor às relações institucionais do que pessoais. Onde se passa mais tempo a investir no projecto da empresa em que se trabalha do que no projecto de vida e no legado que se deixa aos descendentes.
A humanidade não é uma sociedade, é uma aglutinação de egos que não conseguem ver além de si próprios.
Estava perdido nestes pensamentos quando, na rotunda, dois carros colidiram gerando o caos no caos que já havia anteriormente. A orquestra de buzinas subiu num crescendo ensurdecedor, acompanhada pelo coro de gritos e insultos…
Segui o meu caminho, reconfortado por esta ópera de compositor desconhecido…
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3.
[Sem título] - "Velho do Restelo"
Primeiro que tudo... que raio de letra é essa? Tens dezenas de tipos de letra à escolha e escolhes esse? Era capaz de apostar que quando mudaste, tiveste para cima de 20 comentários a dizer que tinhas feito uma bela escolha de letra... sim que a Sra. D. Essência não faz nada ao acaso e tudo o que faz... faz maravilhosamente bem!!! Mesmo os disparates da Sra. D. Essência são bem feitos!!!
Ai que eu estou a dizer mal da Essência... nem sei se isso já é permitido, antigamente não era!!! Felizmente sei que sabes que gosto muito de ti... o que não quer dizer que goste de tudo o que fazes!!!
Por aqui passei dos momentos mais divertidos da "blogosfera"... principalmente o tempo do que te observava à distância e ao perto!!! :P
Uma coisa é certa, fiz mais comentários aqui do que post's no meu blog... tadito do meu blog!!!
Cheguei a comentar só para ter uma opinião desalinhada... porque às vezes irritava um pouco as simpatias excessivas... Também fui insultado pela tua seguidora (boazona, com umas fotos super sexy) que não resistiu ao facto de o teu blog ter dado um programa de rádio... e quando lhe atirei com isso, lá foi ela para o blog dela chamar-me de otário... bem na realidade as fotos dela não eram sexy, aparecia só meio nua... mas era boazona com ar de "escort" do correio da manhã, e não digo isso só porque ela me chamou nomes, tinha mesmo pinta de escort.
Uma coisa é certa, sou incapaz de passar no roupa prática e não deixar a minha marca... cusca como és, vais já ver se o registo de passagens pelo blog é coincidente com os comentários, sim que este blog parece a PIDE e denuncia tudo... este passou e comentou... aquele passou e não comentou... uma coisa que nunca percebi, é porque certas pessoas passam e nunca dizem nada!!! Será que nunca têm nada para dizer???
O meu blog não satisfazia as minhas vontades, teria que fazer uns 10 post's por dia, e não tinha tempo nem vontade, o que me leva a escrever são as emoções no imediato, e isso não o conseguia fazer no blog, pelo que o deixei a um canto, fiquei só pelo FB, onde publico umas quantas noticias e desabafo na hora, não me interessa o resultado das publicações, se tem muitos "likes" ou comentários, é mais prático e mais rápido... escrevo menos o que é bom para um gajo preguiçoso como eu... mas às vezes sinto mesmo falta de escrever!!!
Às vezes sinto falta da blogosfera, mas depois passa!!!
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4. [Sem título] - "YelllowMcGregor"
Um desafio
da Essência… Como recusá-lo?
Mas…
escrever sobre o quê? Se eu fosse ela, seria fácil, pensaria para o (meu) decote,
mas não. Pensei em “Amor” (não deslustraria) mas decidi-me pela “Vida”. Porquê?
Porque é no Roupa
Prática “… que se desbobina partes da
vida de uma pessoa”.
Porque no
Roupa Prática se fala da vivência e convivência humana.
Porque o
Roupa Prática é um ponto de confluência de Vidas, num múltiplo de unicidades do
"eu" .
Porque o
Roupa Prática tem a secção “Vivenciar” para regressarmos a tempos passados,
tempos vividos.
Porque o
Roupa Prática tem uma etiqueta “Vida”: foi com ela que rotulou um dos post chamado “Vida na sua verdadeira essência”; foi com
ela que começou e terminou fases, partiu e regressou; foi com ela que um dia
disse: “A vida é feita de ciclos. A vida
é feita de mutações. A vida é uma montanha russa gigante! A vida é sorrisos,
lágrimas, abraços, saudade, dor, tristeza, amor, paixão. A vida é um turbilhão!
Porém, é para ser vivida, sempre!!”.
Aproveitemos
e desfrutemos, então, cada detalhe dessa enorme aventura que é viver.
Esta frase (que
me disseram ser do grande Carlos Drummond de Andrade) tem-me acompanhado ao
longo dos anos:
“Viver é uma oportunidade única de amar e
sentir o lado bom das coisas:
...mesmo que seja breve…
... mesmo que deixe saudades.”
Para mim,
assim é.
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5. [O cão] - "A Minha Essência"
O cão ladrou, abanou a cauda, farejou as ervas daninhas. O cão sabia a sua missão. Encontrar o que seu dono, implacável, queria. O cão sabia que a margem para falhar era nada. Nervoso encontrava-se. Os sinais da sua ansiedade eram muitos. O seu dono sabia. Sabia que nada sabia, enquanto o cão sabia que tinha uma missão, encontrar o que o seu dono, implacável, queria.
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6. [Um brinde à Amizade] - "Karochinha"
Juntem-se, aproximem-se. Ergam as taças cheias de confiança, de cumplicidade, de amor, de partilha e recordações, para um brinde especial.
À amizade!
Que transbordem dessas taças, gotas de tolerância, de compreensão e generosidade e que se possa celebrar, a verdadeira honra de ter a Amizade, como companheira da Vida.
Agradecer à Vida, não só ter mas ser Amigo de alguém."
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7. [Branco] - "A Rapariga"
Olá!
Hoje fui tomar o pequeno almoço com a minha irmã a uma pastelaria. Sentamo-nos na mesa, fizemos o pedido e entretanto, olhamos para a televisão e estava a dar o você na tv.
Quase no fim do pequeno almoço qual é o meu espanto ao ver uma amiga minha no programa a falar no tema branco (falar das unhas que eram brancas, falar de uma casa decorada de branco, que por incrível que pareça não era a casa dela! Nem da mãe e nem do pai!!).
Foi a um programa de televisão expor a vida dela, dizer o que não é, e acreditando na própria mentira. Mas o à vontade dela (só visto). Quando sai do café, liguei-lhe para lhe perguntar se tinha ganhado no euromilhões. Fez de conta que não conheceu o número. Trocamos mensagens e na parte que eu lhe perguntei pela casa, estou até agora à espera da resposta há mais de 6 horas! Realmente como há pessoas que mentem com todos os dentes da boca e acham que a própria mentira é a verdade.
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