domingo, 23 de outubro de 2011

Todas as idades têm as suas particularidades, boas e más. Claro que sim! No entanto, e porque eu já estou na casa dos 30, e porque também me identifiquei bastante com o que está escrito neste texto, optei por trazê-lo para junto de mim.


"Uma mulher é muito mais mulher aos 30 anos. Eis o que quero dizer: tome a mesma moça aos 20 anos e aos 30. No segundo momento ela será talvez umas sete ou oito vezes mais interessante, mais sedutora, mais irresistível do que no primeiro.

Aos 30 anos, a mulher se conhece mais e é por isso muito mais autêntica, centrada, certeira - no trato consigo mesma e na relação com o seu homem. Aos 30, a mulher tem uma relação mais saudável com seu corpo. Aos 30, ela está muito mais interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorar o que for feio e baixo astral e ser feliz o máximo que der. Se o seu homem não gostar dela do jeito que ela é, dane-se!! Uma mulher de 30 só quer quem a mereça.

Aos 30, ela sabe se vestir. Domina a arte de valorizar as partes do corpo que lhes são pontos fortes e de tornar discretas aquelas que não interessa tanto mostrar. Melhora muito a qualidade da sua escolha de sapatos e acessórios, tecidos e decotes, cores e combinações, maquilhagem e corte de cabelos. A mulher de 30 só vai na boa. Gasta mais, porque tem mais dinheiro, mas, sobretudo, gasta melhor. Tem gestos mais delicados, posturas mais elegantes, é mais graciosa e temperada. O senso de propriedade e a noção de limites de uma mulher de 30 não têm termo de comparação com outra de 20. Aos 30 ela carrega um olhar muito mais matador - quando interessa matar. E que finge indiferença com muito mais competência - quando interessa repelir.

Aos 30, a mulher não é mais bobinha. Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher se pudesse não vestia duas vezes a mesma roupa nem acordava dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas aos 30 ela já sabe lidar melhor com esse aspecto peculiar da sua condição feminina. E poupa - excepto quando não lhe interessa poupar - o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a transformavam.

Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 30, tem pintas. Encantadoras, perfumadas trilhas de pintas. Que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos. (Sim: aos 20 a mulher é escolhida. Aos 30, é ela quem escolhe. Aos 20, ela é comida por alguém. Aos 30, é ela que decide para quem dar. Etc.) Com 20 ela eventualmente veste calcinhas que não lhe favorecem. E as pendura no registro do chuveiro. Aos 30, usa lingeries escolhidas a dedo. Que, sempre surpreendentes e com altíssimo poder de fogo, o seu homem nunca sabe de onde saíram. Aos 30, a mulher aprende a se perfumar na quantidade certa. E com a fragrância exata para a sua pele, para a temperatura do dia, para os tons da roupa que está usando. A mulher de 30, muito mais do que a de 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome.

Aos 30, ela é mais natural, mais elegante, mais sábia, mais serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Desenvolve um toque macio e quente, que sabe ser a um só tempo firme e suave. Fica tudo mais uterino, mais helênico, mais glamoroso, mais sexualmente arguto.

Aos 30, a mulher não faz mais experiências esdrúxulas. Quando ousa, no que quer que seja, costuma acertar em cheio. No jogo com os homens, já aprendeu a esgrimir no contra-ataque, construindo seus xeques-mates em silêncio. Quando dá o bote, é para liquidar a factura. Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra sua força na hora certa, de modo subtil. Não para exibir poder - mas exactamente para resolver tudo a seu favor antes de chegar ao ponto de precisar exibi-lo. Garante para si o que quer sem confrontos inúteis. E brinca com a sua pretensa fragilidade como uma ferramenta lúdica de prazer - seu e do seu homem. Sabiamente, goza de todas as prerrogativas da condição feminina sem ter que engolir nenhum sapo supostamente decorrente do fato de ser mulher.

Se você, leitora, anda preocupada porque não tem mais 20 anos - ou porque os têm, mas já percebeu que eles não vão durar para sempre - fique tranquila, deixe de bobagem, descanse. Saiba que é precisamente aos 30 que o jogo começa a ficar bom."


Adriano Silva, "editor da Super Interessante"

Rapinei este texto (aqui). 

16 comentários:

  1. Como diz o título, "todas as idades têm as suas particularidades, boas e más". Claro que me sinto mais mulher agora do que há 4 anos. Claro que me vou sentir mais mulher aos 30! O bom, é olhar para trás e ver que mudámos, principalmente para melhor! Gostei do texto! Escrito por um homem, que sabe!


    beijoca*

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  2. belo texto :) por acaso e só por acaso acho que a melhor idade são os 30 :) [ainda me faltam 5 para la chegar ] :)

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  3. Querida Essência, e é bem verdade o que diz o texto! Os 30 e os 40, são as idades mais femininas, mais interessantes, nas mulheres, sem dúvida. :)

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  4. Adorei o textinho!! Realmente deu para ter uma nova imagem dos 30, ainda bem que eu até tremo de pensar neles :P

    Beijinho*

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  5. Mas segundo diversos autores (um dos quais já mencionei quando falei da beleza da mulher, é quando a mulher atinge os 40 que atinge a sua plenitude.

    :)

    Beijo

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  6. Bem, como estou nos 34, acho que estou no caminho certo!
    :)

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  7. Ter consciência da verdade que está escrita no texto, é das poucas vantagens que podemos ter! ;)

    beijo
    Sutra
    P.S.: Se for uma mulher dos anos 30... a conversa já é outra!! loooool :D

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  8. Excelente!
    Já conhecia o texto, e vc teve sensibilidade para postá-lo aqui.
    Bjos

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  9. e aos 40 ela é Essência na sua plenitude...

    :)

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  10. Postei este texto antes de fazer os 30.Agora que vou fazer os 31 estou a dar conta de como é bom relê-lo. :)))

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  11. Só mulheres bonitas e interessantes por aqui. :)

    Kiss, kiss

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