sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Longe de pensar o que vinha por aí...


Na sequência (deste), post. Quando fui buscar a Zunfinha à tarde na escola...

Chego ao portão e está a auxiliar da sala da Zunfinha a falar com uma (suposta) mãe. Entro e começo a procurá-la pelo pátio. Olho em frente e vejo, a minha Zunfinha encostada ao muro com duas crianças de volta dela. Uma, estava somente ao lado dela, mas a outra, estava de frente a pisar-lhe o pé e a agarrá-la pelos braços enquanto lhe falava algo que não consegui perceber. A Zuninha, estava com uma expressão assustada e imóvel. Olho para o lado e estava a outra auxiliar da outra sala a poucos metros delas mas, estava a olhar para o diabo que a carregue! Naquele exacto momento, nem sei dizer exactamente o que senti. Agora, acredito que tenha sido um misto de raiva e angústia. Assim que a minha Zunfinha me vê, vem a correr ter comigo, o seu porto-seguro. As miúdas, sairam dali a correr. Chamo a auxiliar que ainda tem o desplante de vir calmamente. (Pois claro, nada tinha visto)
Quando chega, conto-lhe o que se tinha passado. Ela, começou a ficar aflita (noto na expressão dela), pois se tocou da alhada. (É que, estar na conversa em vez de tomar conta das crianças que estão à sua responsabilidade, tem muito que se lhe diga). Entretanto, a tal auxiliar, chama a criança que estava a coagir a Zunfinha e, nos entretantos, ainda diz que precisava de ouvir as duas versões. Passei-me e disse-lhe, "Qual duas versões, se estavam duas crianças a coagir outra?! O que há aqui  mais para perceber além do óbvio??" - No entanto, a miúda lá lhe diz muito constrangida, "ela (Zunfinha), estava só atrás de nós e por isso, fiz o que fiz". - A dita auxiliar, responde à criança que isso não se fazia e, ordena-lhe que peça desculpas à Zunfinha. Depois, vira-se para a Zunfinha e diz-lhe que ela também não tinha nada que andar a correr atrás delas. Ui... virei-me para ela e pergunto, "é justificação para o comportamento que as crianças tiveram? Só pelo facto da minha filha querer brincar com elas?!" - Diz-me que não, que tinha razão. (Às tantas, já nem sabia o que havia de dizer)
No entanto, ainda lhe digo que, "não estava a ter a abordagem mais correcta para com as crianças. Pois não era ali, no meio do pátio que se tratava do que quer que fosse junto dos demais que ali se encontravam." - Isto, sem falar da forma como levou a situação. Parecia um autêntico circo. Bolas, o cenário só tinha tendência para piorar, livra. E, quando penso nas duas auxiliares ali no pátio, mais duas pessoas que nem sei quem são ao certo e que tipo de funções exercem, mas que fazem parte da escola (segundo consta), e ninguém, mas ninguém, vê uma situação daquelas??!! Não dá para acreditar. Nos dias que correm, as notícias que se ouvem de situações destas e de outras, fora as que ninguém sabe, incrível.
Já no meu limite, contei uns quantos números mentalmente para acalmar e digo-lhe que iria falar com a educadora no dia a seguir.  E sim, vou falar com a educadora. Vou deixar bem claro o meu desagrado, assim como, se algo voltar a acontecer, que não vou deixar por isso mesmo. Vou estar atenta. E, por mais banal (o que não é), a situação, não vou e nem quero deixar passar em branco. O assunto em questão são crianças e por acaso uma delas é a minha filha. Uma criança de 5 anos. Um bebé ainda, portanto. As outras duas tinham 7/8 anos. Hoje é isto e amanhã, é o quê? E quem lá trabalha, está lá a fazer o quê?! E quem deixa as suas crianças, pode ficar tranquila? Eu não sinto mais essa tranquilidade. Por mais que me tente abstrair destas atitudes destes profissionais, que por acaso estão tanto tempo com os nossos filhos, deixa a pensar, deixa muito a desejar e são elas mesmas que se põe a jeito para tantas questões serem levantadas. Confesso que saí de lá danada, com o coração pequeno só de pensar na cena em que vi a minha filha com medo, coagida por aquelas duas crianças que mais pareciam uns diabinhos. Só tenho/sinto vontade de abraçar a minha filha e não deixá-la mais. Enchê-la de beijinhos e miminhos para que ela se esqueça daquele infeliz momento. É estonteante mas, ainda sinto o nó na garganta e uma sensação de tristeza a corroer-me as entranhas. Não tem explicação.

Após falar com a educadora...

Explico-lhe a situação. Ela, obviamente que tentou limpar a água do capote dela e da sua auxiliar. (Porque será?)
É que subtilmente, bem nas suas entrelinhas diz-me que, "não devia empolar demasiado a situação pois são crianças pequenas. Elas (auxiliares e educadoras), não têm mãos nem olhos a medir para a quantidade de crianças que têm. O que se passou é o que se passa dia sim, dia não. Não devemos dramatizar. Estar atentos sim, mas não dramatizar."
Pergunto-lhe (parva com o que ouvia), "se fosse a sua filha e a educadora viesse com este tipo de discurso, o que pensaria? Como agiria? - Pois, deixe que lhe diga, que não estou a dramatizar ou a empolar situação alguma. Simplesmente estou a relatar exactamente como foram os factos. Afinal, falamos de crianças sim, tem toda a razão! Uma de 5 anos e outras de 7/8 anos. São pequenas, claro que são! Não sabem o que fazem. Humm... depende do ponto de vista. Isto porque as crianças quando querem, conseguem ser mais crueis que muitos adultos. Pela sua espontaneidade e sinceridade. Porém, cabe aos adultos pôr mão aos ímpetos dos mais pequenos. E mais do que a agressão física (pisar o pé e agarrar os braços), é o lado psicológico que mais se realça aqui. (Pelo menos na minha óptica)
Porque eram duas crianças para uma só. Eram as ameaças que eram feitas juntamente com os actos. A coação que por mais insignificante que possa parecer, existiu. Sim, são crianças (volto a reforçar). Sim, não têm noção da dimensão dos actos praticados, mas sentem, vivem as situações e marca, moi, magoa... e, hoje é isto, amanhã é aquilo e, quando damos por ela, começam os problemas de isolamento, medo, insegurança, falta de auto-estima e por aí fora... porquê? Porque não se estava atento. Porque não se deu demasiada importância, ou a devida importância. "Oh, afinal eram só crianças pequenas". - Mas as crianças são gente que sentem como nós, adultos. Obviamente que noutra dimensão, noutra perspectiva, mas sentem.
Relembrando, que só por acaso, estamos a falar da minha filha. O que seria suposto fazer numa situação destas? Fechar os olhos? Para quê? Para não importunar os funcionários da escola, ou para eu mesma não me aborrecer? É assim que funciona? - Que fique bem claro que estou atenta. Tanto na Zunfinha como em vocês. E, hei-de sempre falar como pedir justificações quando a situação assim o exigir. Assim como, se voltar a acontecer nestes moldes, uma participação irão ter. Pois é por haver impunidades que as situações continuam a acontecer. Tudo porque não se sentem as consequências dos actos."

Posto isto, as conclusões estão à vista.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Quando eramos nós...


Preparei a minha Zunfinha toda pipoca. Era vestidinho, era sandálias, era rabo-de-cavalo, era fita e tudo e tudo... eu, achava que ela estava uma verdadeira princesa. Ela, nem por isso. Não pelo vestido que gosta. Não pelas sandálias, ou pelo rabo-de-cavalo que, apesar de não ir muito à bola, até não refila se não for muito ao alto. (Coisas nossas)
No entanto, o problema estava na fita do cabelo. (Ai o raio da fita que estava a fazer uma confusão à Zunfinha que nem eu tinha dado conta). Isto porque ela nada me disse em casa. Mas, chegadas à escola, ela não queria entrar. A educadora lá tentou puxar por ela, lá chamou a amiga favorita dela mas, nada. Às tantas, eu já estava aflita pois não é hábito dela criar estas situações. Entretanto, ela puxa-me as calças a fazer sinal para baixar-me até ela e diz-me, "mamã, por favor, tira-me a fita. Não gosto." Diz-me isto com um ar tão triste, que fiquei com o meu coração pequenino, pequenino como só. Retirei a fita e, era vê-la com aquele sorriso nos lábios. A energia, essa, tinha voltado num ápice. Deu-me um beijinho repenicado e um abracinho daqueles juntamente com um, "amo-te muito mamã!!" Oh céus! Ganhei o dia!...

Vinha no carro a pensar naquela cena toda e, automaticamente, remeti para as minhas lembranças... quando tinha  a idade dela, ou até um pouco mais e, revi-me com a mesma angústia quando a minha mãe ou avó queriam fazer prevalecer as suas ideias sobre mim. Isto no sentido do vestir, pentear e etc. O certo, é que nem sempre acertavam (na minha óptica), e as angústias, eram uma constante.
Hoje, consegui perceber perfeitamente o que a minha Zunfinha estava a sentir. E aqui, não tem haver com o querer levar a sua vontade à frente, ou uma mera teimosia só porque sim, não! Mas, o que ela na sua inocência acha que lhe fica melhor quando se vê. Eu, até podia pensar que, "eu é que sei!" ou "ela tem que fazer o que eu quero!", entre outros pensamentos parecidos. Podia, mas eu também já passei pelo mesmo e sei exactamente o que sentimos naquele momento. E, só isso bastou para a compreender e desmistificar a situação. Tudo se torna simples, quando nos colocamos no lugar do outro...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

PRECISO DE AJUDA!!


Fosga-se mais a sorte e o caraças...

Há 2 dias que esta imagem não arreda pé do Roupa Prática. Já retirei posts, imagens, contador, eu sei lá mais o Diabo à quatro do que já fiz... mas, o certo-concreto-real, o que queiram chamar, é que o tal vírus-não-sei-das-quantas anda a trocar as voltas desta blogger. Confesso que não sei por mais quanto tempo isto vai durar, pois pode ser por mais alguns dias, como semanas, ou até meses!! Enfim, resta-me esperar, ou até fechar de facto o blog. Porém, nos entretantos, quem conseguir entrar no Roupa Prática, e souber efectivamente como posso resolver este problema que entrou sem pedir licença, por favor, os meus olhinhos e neurónios estão aqui em sentido para captar cada dica.

Obrigada!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Preocupação é...

... A mãe cair, e o filho, vir calmamente a andar com as mãos nos bolsos como se tivesse todo o tempo do mundo...

No fim-de-semana (17/18), infelizmente, tive que recorrer às muletas. Dei um mal jeito qualquer no qual, deixou-me o pé inchado e escuro, com derrames pequenos na zona afectada. (Para mal dos meus pecados. No entanto, após uns 3 dias de repouso, já estou melhor e hoje, estou a escrever este post sentada com as pernas cruzadas à chinês. Ou seja, estou pronta para outra!)
Entretanto, no dia 18, estava à espera da minha boleia na berma da estrada, quando reparo numa senhora já com larga idade a atravessar a estrada com um cão enorme. Mas ela vinha a arrastar-se, literalmente! Obviamente que não me deixou indiferente, e automaticamente pergunto-lhe se precisava de ajuda. (Eu, de muletas a perguntar se precisava de ajuda. Oh céus, só rir)
Ela, devagar, devagarinho passa para o lado onde me encontrava e diz-me que caiu, mas que não sabe como fez, e que estava cheia de dores. Sofre dos ossos e está a ser seguida no IPO. Enquanto ela debitava a história, pára um carro e pergunta se podia ajudar. (Só podia...)
A senhora diz-lhe que morava a dois prédios a baixo e que tinha o filho em casa. Eu prontamente, digo ao senhor para levar a senhora que lhe dava um olho pelas duas crianças que se encontravam no carro. Mas, assim que o senhor se afasta, uma das crianças (a mais pequena), abre a guela. Entretanto, chega a minha boleia e digo ao senhor que o melhor seria, ele voltar para o carro, já que a criança estava aos prantos e a pessoa que estava comigo ia com a senhora. E assim foi...
... Mas, como a senhora não se aguentava em pé e andar custava-lhe, a pessoa foi chamar o dito filho enquanto a senhora ficava ali comigo à espera. Eu, vendo a senhora quase a cair cedo-lhe uma muleta (olha que duas). Mas na altura não percebi (mediante o aparato), a senhora não queria que se liga-se à ambulância. Pois preferia ir buscar o número x dos bombeiros y que conhecia e coisa e tal... (o que agora, ao debitar esta história, até dou de barato. Afinal, a velhice tem destas pequenas coisas, teimosia excessiva!!).
Porém, o vento era mais que muito, e era ver-nos a agarrar firme na dita muleta para não voar, enquanto só nos restava esperar.. Passou uns quantos minutos, a pessoa chega ao pé de nós... depois, mais outros tantos minutos e, eis que de repente, lá vimos o tal filho a vir. Então o cenário era: eu com uma muleta, a senhora com a outra muleta, aflita como só no meio da rua. A outra pessoa a segurar o cão.  Pois, pois... e eu estava a esquecer desse pormenor, o cão. É que eu, desde que fui mordida por um, ganhei medo! Logo, o meu dilema aqui, consistia em querer ajudar a senhora, mas estar longe do cão. Um horror!! (Só quem passa pelo mesmo, dá valor. Cada vez mais, em muitas situações do meu dia-a-dia, chego a esta triste conclusão)
Outra situação a acrescentar, a pessoa que estava comigo, quando foi chamar o filho foi a correr. O tal filho, esse, veio muito, mas muito lentamente, quase em câmara lenta, com as mãos nos bolsos. Fiquei passada, confesso. Estava eu mais preocupada do que, quem de facto deveria... enfim, prioridades.

sábado, 24 de setembro de 2011

Apontamentos de leitura


Ficou na retina...

"O fogo e a esperança estão relacionados, como todos sabem.
Da forma como os Gregos contaram a história, Zeus nomeou Prometeu e Epimeteu como responsáveis pela criação da vida na Terra. Epimeteu criou animais, atribuindo-lhes qualidades como a velocidade e a força, a pelagem e as asas. Na altura em que Prometeu criou o homem, todas as qualidades melhores já tinham sido atribuidas. Ele contentou-se em fazê-lo caminhar erecto, e deu-lhe o fogo.
Zeus, irritado, retirou-lhe. Mas Prometeu viu a sua criação, o seu motivo de orgulho e alegria, a tremer e sem poder cozinhar. Acendeu um archote no Sol e entregou-o de novo ao homem. Para castigar Prometeu, Zeus mandou acorrentá-lo a uma rocha, onde uma águia se alimentou do seu fígado. Para castigar o homem, Zeus criou a primeira mulher, Pandora, e deu-lhe um presente, uma caixa que estava proibida de abrir.
A curiosidade de Pandora levou a melhor, e um dia ela abriu a caixa. Saíram de lá pragas, miséria e maldade. Ela conseguiu fechar bem a tampa antes que a esperança se escapasse. É a única arma que nos resta para combater."

- Jodi Picoult, "Para a minha irmã"

E...


... Hoje, fazes 17 anos... há 3 anos que não te vejo... saudades, muitas!!

Parabéns!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(Suspiro)


"Mamã, eu amo-te tanto!! Estou cheia, cheia de saudades tuas."

Há problemas e vicissitudes desta vida que teimam em deixar-nos com os cabelos em pé. Teimam em  pôr-nos à prova constantemente. Teimam em medir forças connosco. Teimam em ser um autêntico Golias. Porém, é com frases destas tão simples, mas tão genuínas que parecem um grão de areia no meio deste turbilhão que acabei de escrever, mas que é tanto porque me enche a alma. Deixa-me de sorriso rasgado e dá-me forças para ir mais além. Dá-me alento. E, vindo de um ser tão pequeno, mas tão grande de alma e com uma pureza tão imensa, tem um gosto de quero mais! Contudo, a espontaneidade assalta-nos e aí, a tendência, é  deixar-nos desarmados, completamente! Mas o gostinho, esse, é sempre insaciável...